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Os benefícios da alimentação para a função cerebral
Da diretoria da SBAF
O declínio cognitivo e a demência são os problemas mais relatados em relação ao envelhecimento. Devido à explosão do envelhecimento da população, a prevenção tornou-se uma área em franco crescimento.
O mais importante nutriente para a função cerebral é a gordura, e não somente porque o cérebro é feito de gordura, mas devido à ação das mesmas. Em particular, as membranas das células cerebrais controlam a entrada e saída de material no ambiente celular. Aumentando a permeabilidade das membranas celulares aumenta-se a transmissão neuronal.
As células cerebrais também tornam-se rígidas com o envelhecimento. Então, nutrientes que podem manter a fluidez da membrana celular demonstram uma esperança na manutenção de uma função cognitiva saudável.
Fosfatidilserina tem um efeito fluidificante das membranas neuronais, as quais aceleram a transmissão dos impulsos nervosos. Estudos demonstram que a fosfatidilserina pode melhorar o aprendizado, a memória, a concentração e a atenção em idosos com perdas evidentes de memória. No entanto, a mesma tem sido historicamente derivada do córtex bovino e, devido a encefalopatia espongiforme bovina ou doença da vaca louca, que emergiu em 1991, houve um comprometimento dos estudos com esses fosfolipídeos. Mais tarde, nos anos de 1990, uma forma de fosfatidilserina derivada da soja foi desenvolvida, para a qual se demonstrou ser segura, num estudo com 120 idosos que consumiram doses superiores a 600 mg / dia. Os resultados com a substância derivada da soja aparecem como ambíguos e mais estudos serão necessários.
O óleo do Krill é uma fonte de fosfolipídeos e está sendo comercializado como única fonte, mas estudos são necessários para determinar a eficácia.
Citicolina, uma forma da vitamina B colina, é usada, pelo cérebro, no reparo das membranas celulares e, também, ajuda a restaurar os fosfolipídeos. Também são conhecidas como CDP-colina, e estão sendo estudadas devido à habilidade em inibir a degradação dos fosfolipídeos. As células cerebrais são capazes de tornar a citicolina em fosfatidilcolina e, também, podem ajudar no reabastecimento cerebral de fosfatidilserina.
Um estudo duplo-cego, com controle placebo e randomizado, realizado pelo Instituto de Tecnologia de Massachussets, acompanhou 95 sujeitos, entre 50 e 85 anos de idade, que tomaram um grama / dia de citicolina por três meses. Citicolina melhorou a memória, mas somente naqueles que já apresentavam perda da mesma.
Alfa-GPC é um dos nutrientes mais usados, nos dias de hoje, em formulações destinadas à saúde cerebral. É precursor de neurotransmissores como a acetilcolina e de constituintes de membrana como a fosfatidilserina, podendo aumentar a taxa de síntese de fosfolipídeos. Estudos em animais já demonstraram aumento dos metabólitos de colina no cérebro após a administração oral. Vários relatos diferem no tempo em que isso é observado em sujeitos humanos.
Um estudo recente, conduzido com 11 jovens saudáveis da Escola de Medicina de Harvard, em 2004, achou que alfa-GPC foi capaz de atravessar a barreira hematoencefálica para aumentar os níveis cerebrais de colina dentro de poucas horas após a ingestão oral.
Estudos investigam a eficácia destes compostos em desordens que afetam a função cognitiva incluindo AVC e Alzheimer. Um estudo italiano, com 2044 pacientes sofrendo de recente quadro de AVC, que foram suplementados com alfa-GPC, em doses de 1.000 mg / dia, por 28 dias e 400 mg / dia por cinco meses, confirmou que a recuperação cognitiva dos pacientes foi significativa.
Um outro estudo, aleatório e com controle, comparou alfa-GPC com acetil-L-carnitina, em 126 pacientes com graus de leve a moderado para Alzheimer. Encontrou melhora significativa em ambos os grupos, sendo o grupo com alfa-GPC um pouco melhor. Acetil-L-carnitina é um acetil derivado da L-carnitina. A importância desta para tecido cardíaco e para o tecido muscular esquelético está bem estabelecida, mas para a função nervosa, que depende prioritariamente da glicose como combustível, ainda não está esclarecida.
Um imbalanço entre a produção de radicais livres e a diminuição das defesas para os mesmos, pode ser apontado como uma causa primária para os processos de envelhecimento. A administração de L-carnitina para ratos envelhecidos, por mais de 21 dias, reverteu as mudanças associadas ao envelhecimento em relação a peroxidação dos lipídeos e restaurou tanto o sistema enzimático quanto o não enzimático de ação antioxidante, em várias regiões cerebrais. Os resultados sugerem um efeito neuroprotetivo das células cerebrais dos ratos velhos pela elevação de antioxidantes, com o uso da L-carnitina.
Outros estudos animais demonstraram que a L-carnitina, como suplemento, pode melhorar a função cerebral e a habilidade de aprendizagem. Um estudo, com pessoas envelhecidas, revelou que a L-carnitina aumentou significativamente o status mental comparado com o grupo placebo.
O chá verde, com os polifenóis como a epigalocatequina-3-galato (EGCG), tem demonstrado, em estudos animais, deter processos que podem contribuir para o surgimento de Alzheimer. A chave para liderar o aparecimento de Alzheimer é a formação de um peptídeo conhecido como beta-amilóide, o qual incrusta na forma de placas senis nos vasos de sangue e nas superfícies externas dos neurônios, causando a morte dos mesmos.
Em estudos in vitro e com cobaias, a substância EGCG diminuiu a produção da proteína beta-amilóide. Após tratamento de ratos com Alzheimer por vários meses, com injeções diárias de EGCG, observou-se uma diminuição das placas da ordem de 54%.
Os pesquisadores encontraram, no entanto, que os outros flavonóides presentes no chá verde fazem oposição ao EGCG. Tomar o chá, então, não teria eficácia nenhuma.
Os pesquisadores notaram que humanos poderiam precisar de pelo menos 1.500 mg / dia de EGCG para aproximar-se da dose eficaz para benefícios em relação ao Alzheimer daquela observada em ratos. No entanto, a diferença entre as vias oral e injetável pode ser importante nos resultados finais.
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Sociedade Brasileira de Alimentos Funcionais - SBAF
Fonte: Functional Foods & Nutraceuticals Magazine, dezembro de 2005.
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