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Compostos fenólicos do azeite: uma explicação nova para os benefícios na saúde cardiovascular para a região do Mediterrâneo
Da diretoria da SBAF
Fitoquímicos do azeite, mais do que os ácidos graxos, podem ser os responsáveis pelos efeitos benéficos ao coração, observado nas populações do Mediterrâneo, dizem pesquisadores espanhóis.
Em um estudo sobre a função dos vasos sangüíneos em voluntários humanos, eles encontraram polifenóis que podem causar uma significativa melhora no sistema circulatório e obtiveram efeito diminuído quando os polifenóis foram retirados do azeite.
A saúde dos vasos sangüíneos garante o fluxo sangüíneo enquanto que vasos danificados podem levar a bloqueios e danos cardíacos.
O estudo foi realizado por um grupo de pesquisadores do Hospital da Universidade Rainha Sofia, em Córdoba, sendo um dentre diversos estudos científicos que buscam elucidar como o azeite protege o coração.
Diversos estudos epidemiológicos relacionam o consumo do óleo de oliva, um ingrediente chave na tradicional dieta do Mediterrâneo, com a baixa incidência de doenças cardiovasculares em muitos países do sul europeu. Somente nos últimos anos os investigadores começaram a pesquisar como o óleo vegetal exerce seus efeitos benéficos.
Identificar o mecanismo de ação é fundamental para confirmar as propriedades benéficas para a saúde e garantir a credibilidade para o incentivo do consumo como um alimento saudável.
O estudo sobre o óleo de oliva é complexo porque ele contém centenas de compostos potencialmente ativos, muitos dos quais ainda não são conhecidos. Um outro fator complicador é que existem várias variedades de azeite e a comparação de resultados não é possível.
Em setembro de 2005, pesquisadores norte-americanos identificaram um componente até então desconhecido que foi chamado de oleocanthal. Este demonstrou uma poderosa ação antiinflamatória. Comparou-se a ação deste composto sobre as enzimas COX com a ação de drogas comuns como o ibuprofen.
Um novo estudo, a ser publicado em novembro no Journal of the American College of Cardiology (vol 46, pp 1864-1868), é importante por ser o primeiro a demonstrar o benefício direto do óleo de oliva com alto conteúdo de compostos fenólicos sobre a função endotelial em humanos, de acordo com os autores. Os fenóis são um grande grupo de compostos que incluem os flavonóides tais como as antocianinas e quercetina, ácidos fenólicos como o ácido elágico, fibras como os lignanos e vitaminas. Muitos destes são antioxidantes, antiinflamatórios e anticoagulantes, todas ações benéficas para a saúde cardiovascular.
Os cientistas espanhóis enfocaram, particularmente, a resposta do endotélio dos pequenos vasos sangüíneos dos dedos dos sujeitos, em relação às mudanças de fluxo sangüíneo, as quais foram produzidas inflando e desinflando um manguito de pressão.
Respostas fracas para o fluxo de sangue foram consideradas como sinais precoces de doença cardiovascular.
Estudos prévios relacionam dietas com alto teor de gorduras com uma função endotelial pobre após várias horas da refeição. Os pesquisadores avaliaram uma dieta relativamente rica em gordura (60 gramas de pão branco com 40 mL de azeite). Os sujeitos, 21 adultos com altos níveis de colesterol, foram randomicamente colocados em dois grupos; um com alto teor de compostos fenólicos (400 partes por milhão) e outro com o mesmo tipo de azeite, porém processado para retirar o máximo de compostos fenólicos (80 partes por milhão).
O consumo de refeições ricas em polifenóis foi associado com a melhora da função endotelial, assim como com o aumento das concentrações de óxido nítrico, segundo relato dos pesquisadores.
O azeite virgem é muito mais que gordura porque representa um suco com outros micronutrientes, disse o autor Dr Francisco Pérez Jiménez. "Nós pensamos que, olhando para nossos resultados, a redução do estresse oxidativo e o aumento da disponibilidade de óxido nítrico podem estar por trás da melhora observada no estudo", disse o autor.
Para o autor, outros estudos com populações apropriadas, com uma amostragem maior, são requeridos para estabelecer, de forma definitiva, as propriedades antioxidantes in vivo, dos compostos fenólicos do azeite, em relação às doenças cardiovasculares.
Os pesquisadores ressaltaram que não são todos os azeites que apresentam níveis elevados de compostos fenólicos.
Os resultados obtidos apontam evidências para permitir a relação entre um consumo aumentado de azeite e a prevenção da progressão da aterosclerose.
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Sociedade Brasileira de Alimentos Funcionais - SBAF
Nutraingredients.com / europe.
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